"não me perguntes quem sou. não me perguntes nada. eu não sei responder a todas as perguntas do mundo. pousa os lábios sobre a página. devagar,muito devagar. vamos beijar-nos."
segunda-feira, setembro 19, 2011
Interior
segunda-feira, setembro 05, 2011
Rainha
quarta-feira, agosto 10, 2011
Só
Depois de uma noite que existiu por
dias
meses
anos,
abriu as cortinas e a luz entrou
na sala
na mente
na alma
Amontoou na mochila
roupas
forças
vontade
e saiu. Não sabia onde ela estava. Mas acreditava. Encontraria
O dia
O lugar
O sentido
onde paira o fim da órbita escrita pela história dos dois para, de regresso ao começo, serem
ele
ela.
Só.
terça-feira, agosto 02, 2011
Uniões
segunda-feira, maio 09, 2011
Marés
Houvesse mais mar dentro dele e mais profundamente ela mergulharia. De tão abandonado mergulho, afundou-se na sua alma azul e, ondulada, fez-se mar.
terça-feira, abril 26, 2011
Noite
A lua ia alta e o homem jorrava impropérios desvairados e cambaleantes. Desvairada e cambaleante ia também a embriaguez terminal que levava na alma.
No percurso incerto que um pé traçava sem acordo do outro, viajava um inusitado propósito de atingir nas entranhas todos aqueles cujo imediato diagnóstico não fosse uma definida infelicidade. A cadela, sempre dois passos atrás, permanecia mulher cautelosa e envergonhada, entre o cuidar e o fugir.
O abalo do qual o homem era epicentro alargava-se na proporção dos decibéis e a força destrutiva era tão determinada que, em breve, não restava ninguém no passeio. Sentiu o arrepio quente da frustração e, fazendo-se onda sem praia, elevou uma tábua extraviada e assentou-a nas costas da cadela.
O lamento dela mal se ouviu. Foi o ganido dele que ecoou toda a noite pelas ruas da cidade civilizada.